A educação do consumidor para uma compra informada, que trará maior satisfação e gerará maior fidelidade, não é uma ameaça, mas uma oportunidade
Vote
Opinião
Educar o consumidor, uma oportunidade que as marcas não podem perder
2 de abril de 2014



O “World Trend Report 2014”, do Trends Research Center, tem como um dos seus principais insights, retirados da análise das tendências e mentalidades do consumidor, a necessidade de as marcas educarem os seus consumidores. Com a crescente imposição da Global Connection & Convergence como macrotendência que nos vai influenciar para sempre e com a proliferação das marcas e produtos em oferta, a educação do consumidor para uma compra informada, que trará maior satisfação e gerará maior fidelidade, não é uma ameaça, mas uma oportunidade de ganhar mais, por mais tempo.

Esta afirmação não é de todo descabida e já encontrou grande eco, por exemplo, na campanha de educação do consumidor para o crédito, do Banco Itaú, a maior entidade bancária provada no Brasil e, segundo uma análise recente da Interbrand, a sua marca mais valiosa. Na indústria alimentar – e o Brasil vem novamente à tona como exemplo – esta oportunidade não parece estar a ser entendida e aproveitada pelas marcas. No canal de YouTube Do Campo à Mesa, já considerado um sucesso, a jornalista Francine Lima escreve e produz vídeos em que, de forma simples mas jamais simplista, informa e educa os consumidores sobre as propriedades e capacidades de diversos tipos de alimentos.

De bebidas achocolatadas aos refrigerantes, sumos, produtos naturais e gelados, entre outros, praticamente nada escapa ao olhar e à análise de Francine, que ensina o consumidor não só a conferir as tabelas e quadros de informação nutricional, como ainda explica o que realmente significam expressões como edulcorante, estabilizante, acidulante, alginato de sódio e cloreto de cálcio e o que representam a nível alimentar e de saúde. A jornalista explica que até mesmo o pão integral, a água de coco e o leite podem conter substâncias que não se inserem numa alimentação saudável.

Esta iniciativa só pode ser qualificada como louvável, porque educa o consumidor sobre o que está a comprar, mas principalmente porque o educa sobre como os ingredientes podem afetar as suas expectativas nutricionais, dietas e até a saúde. Contudo, a sua existência evidencia o facto de haver marcas que insistem em ignorar o requisito de transparência ou até em afogar o verdadeiro valor nutricional de alguns alimentos numa verdadeira algaraviada de dados técnicos e jargão científico ao alcance de poucos. Quanto mais denúncias sobre esta falta de clareza ocorrerem, mais aumenta a probabilidade de serem acionadas leis arbitrárias e punitivas, uma possibilidade perfeitamente evitável – e o seu oposto altamente desejável e vantajoso.

Já é tempo de as grandes marcas tomarem a iniciativa das mãos da imprensa e serem as próprias a informar, sem rodeios e com uma linguagem clara, o que vai naquilo que oferecem, sem medo de perder consumidores. Num mundo em que as ferramentas de informação são cada vez mais partilhadas entre as marcas, a imprensa e o consumidor, é míope e até potencialmente suicida ignorar que o consumidor tem o direito de saber tudo sobre o que compra. Cabe às marcas assumirem o dever de o informar e educar, em benefício próprio e da sociedade.



Nota produzida pela AYR Consulting

        
Comentários
Comente este artigo
Regras de Comentários
Agradecemos todos os comentários já que reforçam a qualidade do portal.
Pedimos que respeitem o código editorial, não utilizando linguagem que viole a lei ou a integridade dos demais.
O seu IP ficará na nossa base de dados sem que seja divulgado.
Home
MadeBy
Legislação
GateScope
mgate
Simulador
MissGate
WeeklyTv
Perfis
Notícias
Artigos
Eventos
Opinião
Publicações
TvGate
RadioGate
PressGate
OutGate
CineGate
APAP
DigitalGate
ICAP
APCT
APODEMO
Marktest
Obercom
API
APMP
GMCS
Criativos
APAN
APPM
ACEPI
MEDIAFONE